PUBLICADO EM 15/03/15 - 15h35
Ministro da Fazenda determinou à Receita que finalize estudos sobre mecanismos legais e que alíquotas poderão ser adotadas para estabelecer a nova cobrança
O ministro Joaquim Levy (Fazenda) informou a Dilma Rousseff que um
tributo federal sobre heranças é a melhor opção entre as medidas em
estudo para a parcela mais rica da população dar sua contribuição para o
ajuste fiscal, segundo a Folha apurou.
Levy determinou à Receita que conclua nos próximos dias estudos sobre
mecanismos legais e que alíquotas poderão ser adotadas para estabelecer a
cobrança. A criação do imposto precisaria passar pelo Congresso.
Até agora, as iniciativas anunciadas para tapar o rombo das contas
públicas atingem sobretudo o trabalhador de renda mais baixa, como o
endurecimento das regras de concessão do abono salarial e a revisão da
desoneração da folha de pagamentos.
Apesar de a nova medida atender ao discurso do PT, de que o pacote
fiscal avança também sobre os mais ricos, a taxação de heranças frustra a
bancada do partido no Congresso, que defende iniciativas mais duras,
como tributar grandes fortunas ou a distribuição de lucros e dividendos.
"Penso que é muito mais justo o imposto progressivo sobre grandes
fortunas. Haveria um fato gerador anualmente, sem depender da morte do
contribuinte", disse a senadora Gleisi Hoffmann (PTPR), uma das
defensoras da tributação dos mais ricos.
Já Lindbergh Farias (PTRJ) gostaria de ver taxados lucros e
dividendos, incluindo remessas ao exterior. O senador diz que muitos
empresários exercem funções executivas em suas companhias, mas, no lugar
de receber salários, são remunerados sob a forma de distribuição de
lucros.
Técnicos da Fazenda e do Planejamento se debruçaram nos últimos meses
sobre quatro possibilidades. Além de grandes fortunas, heranças e lucros
e dividendos, a equipe econômica estudou também taxar altas somas
doadas em dinheiro, hoje praticamente isentas de impostos.
PRESSÃO
Segundo a Folha apurou, Levy não é a favor de nenhuma delas, por
entender que mais prejudicam do que ajudam a economia. Mas, dada a
necessidade de arrecadação e a pressão dos congressistas do PT, que têm
criado resistências às revisões dos direitos dos trabalhadores, base
eleitoral do partido, Levy cedeu e aceitou taxar herança.
Tributar lucros e dividendos, por exemplo, poderia punir e afugentar o
capital estrangeiro produtivo investido no país, uma vez que as
subsidiárias das multinacionais mandam para suas matrizes lucros gerados
no Brasil.
OUTRAS PROPOSTAS PARA O AJUSTE FISCAL
- Restrição ao acesso a benefícios como abono e segurodesemprego
- Aumento de alíquotas para empresas que tiveram desoneração da folha

Nenhum comentário:
Postar um comentário