191ª Reunião
Sumário
Data: 2 e 3/6/2015
Local: Sala de reuniões do 8º andar (2/6) e do 20º andar (3/6) do
Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF
Horário de início: 16h36 (2/6) e 16h58 (3/6)
Horário de término: 20h05 (2/6) e 20h06 (3/6)
Presentes:
Membros do Copom
Alexandre Antonio
Tombini – Presidente
Aldo
Luiz Mendes
Altamir
Lopes
Anthero
de Moraes Meirelles
Luiz
Awazu Pereira da Silva
Luiz
Edson Feltrim
Otávio
Ribeiro Damaso
Sidnei
Corrêa Marques
Tony
Volpon
Chefes de Departamento (presentes em 2/6)
Ariosto Revoredo de
Carvalho – Departamento das Reservas Internacionais
Bruno Walter Coelho
Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais
Eduardo José Araújo
Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 3/6)
Flávio Túlio Vilela –
Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos
João Henrique de Paula
Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto
Renato Jansson Rosek –
Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais
Tulio José Lenti Maciel
– Departamento Econômico
Demais participantes (presentes em 2/6)
Afonso Eduardo de
Oliveira Jucá – Coordenador do Departamento Econômico
Gustavo Paul Kurrle –
Assessor de Imprensa
Marcelo Cardoso
Martinelli – Chefe de Subunidade do Departamento das Reservas Internacionais
Maurício Costa de Moura
– Chefe de Gabinete da Presidência
Os membros do Copom
analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e
para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária,
cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.
1.
A
inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo
(IPCA) foi de 0,71% em abril, 0,61 ponto percentual (p.p.) abaixo da registrada
no mês anterior. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses atingiu 8,17%
em abril (6,28% em abril de 2014), com os preços livres aumentando 6,64% (7,04%
em abril de 2014), e os administrados, 13,38% (3,79% em abril de 2014).
Especificamente sobre preços livres, os de itens comercializáveis aumentaram 5,64%
em doze meses até abril (6,16% em abril de 2014), e os de não comercializáveis,
7,53% (7,79% em abril de 2014). Note-se ainda que os preços no segmento de
alimentos e bebidas aumentaram 7,95% em doze meses até abril (7,38% em abril de
2014), e os dos serviços, 8,34% (8,99% em abril de 2014). Em síntese, as
informações disponíveis sugerem certa persistência da inflação, o que reflete,
em parte, a dinâmica dos preços no segmento de serviços e, no curto prazo, o
processo de realinhamento dos preços administrados.
2.
A
média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo
Banco Central, deslocou-se de 0,84% em março para 0,70% em abril, e, assim, a
variação acumulada em doze meses atingiu 7,16% (0,70 p.p. acima da registrada
em abril de 2014). Especificamente, o núcleo por dupla ponderação deslocou-se
de 0,78% em março para 0,74% em abril; o núcleo por exclusão, que descarta dez
itens de alimentação no domicílio, bem como combustíveis, de 1,34% para 0,75%; o
núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,73% para 0,70%; e o núcleo por
médias aparadas com suavização, de 0,76% para 0,72%. Por sua vez, o núcleo por
exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio deslocou-se de 0,57% para
0,61%. O índice de difusão situou-se em 71,1% em abril (1,1 p.p. acima do
registrado em abril de 2014).
3.
O
Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) aumentou 0,92% em abril,
com variação acumulada em doze meses se posicionando em 3,94% (8,10% em abril
de 2014). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor
Amplo (IPA), variou 1,85% em doze meses (8,76% em abril de 2014), 1,39% no
segmento de produtos agropecuários e 2,03% no de produtos industriais. O Índice
de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, aumentou
8,41% em doze meses até abril (6,36% em abril de 2014), e o Índice Nacional de
Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, aumentou 6,89%
(7,96% em abril de 2014), em parte, reflexo de pressões de custos de mão de
obra, que variaram 7,93% no período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria
de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), avançou 0,31% em abril, com variação em doze meses de 5,63%.
O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a
inflação ao consumidor dependerão das condições atuais e prospectivas da
demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória da
inflação.
4.
O
Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativas
para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos
sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade
econômica. Em março de 2015, o IBC-Br avançou 0,54% em relação ao mesmo mês do
ano anterior e, ajustado sazonalmente, recuou 1,07% em relação a fevereiro. O Purchasing Managers’ Index (PMI)
composto para o Brasil se deslocou de 44,2 em abril para 42,9 em maio,
indicando queda acentuada na atividade do setor privado. Os índices de confiança
da Indústria (ICI), do Consumidor (ICC) e de Serviços (ICS), da Fundação
Getulio Vargas (FGV), recuaram 1,6%, 0,6% e 1,6% em maio, respectivamente. No
que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola
(LSPA), do IBGE, projetava, em abril, crescimento de 4,2% na produção de grãos
em 2015, em relação à de 2014.
5.
O
Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado recuou 0,2% no primeiro
trimestre de 2015, comparado com o trimestre anterior (após avanço de 0,3% no quarto
trimestre de 2014), de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE. Na
comparação interanual, houve retração de 1,6% (retração de 0,2% no quarto
trimestre de 2014, na mesma base de comparação). Sob a ótica da demanda
agregada, o consumo das famílias recuou 1,5% ante o trimestre anterior, de
acordo com dados dessazonalizados, e 0,9% em relação ao mesmo trimestre de 2014.
Por sua vez, o consumo do governo recuou 1,3% na margem e 1,5% em relação ao
mesmo trimestre do ano anterior. Já a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou
1,3% em relação ao trimestre anterior e 7,8% em relação ao primeiro trimestre
de 2014.
6.
A
atividade fabril recuou 1,2% em abril, ante o mês anterior, após recuar 0,8% em
março último, de acordo com a série livre de influências sazonais divulgada
pelo IBGE. Assim, o setor industrial acumula, nos últimos doze meses, variação de
-4,8% em abril de 2015. Na série sem ajuste sazonal, a produção industrial recuou
7,6% em abril, em relação ao mesmo mês do ano anterior, com resultados negativos
nas quatro categorias de uso e em 23 dos 26 ramos pesquisados. De acordo com
dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento
real da indústria de transformação recuou 6,4% de março para abril de 2015, de
acordo com a série livre de influências sazonais, e encontra-se em nível 10,3% menor
do que o registrado em abril de 2014. O indicador PMI do setor industrial, por
seu turno, variou de 46,0 em abril para 45,9 em maio.
7.
Entre
as categorias de uso, comparando-se a produção de abril com a de março, de
acordo com a série com ajuste sazonal, o setor de bens de capital assinalou a redução
mais acentuada (-5,1%), seguido pelo setor de bens de consumo semi e não
duráveis (-2,2%), de bens de consumo duráveis (-1,8%) e de bens intermediários
(-0,2%). Comparando-se a produção de abril com a do mesmo mês de 2014, houve
redução nas quatro categorias: bens de capital (-24,0%), bens de consumo
duráveis (-17,1%), bens de consumo semi e não duráveis (-9,3%) e bens
intermediários (-3,2%).
8.
De
acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), a
taxa de desocupação no trimestre móvel encerrado em abril foi estimada em 8,0%,
com aumento de 0,9 p.p. em relação ao mesmo período do ano anterior. De acordo
com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), que abrange seis regiões
metropolitanas, a taxa de desocupação situou-se em 6,4% em abril, com aumento
de 0,2 p.p. em relação ao mês anterior e de 1,5 p.p. em relação a abril de
2014. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram redução
de 97,8 mil postos de trabalho formais em abril e fechamento de 137,0 mil vagas
nos primeiros quatro meses do ano. Em suma, dados disponíveis confirmam um
processo de distensão no mercado de trabalho.
9.
De
acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o
volume de vendas do comércio varejista restrito avançou 0,4% em março, em
relação ao mesmo mês do ano anterior. Por sua vez, o volume de vendas do
comércio ampliado, que inclui o setor automobilístico e o setor de materiais de
construção, diminuiu 0,7% em março, na mesma base de comparação. As variações
mensais foram de -0,9% e de -1,6%, respectivamente, de acordo com as séries
dessazonalizadas, com retração em sete dos dez segmentos pesquisados. Em doze
meses, a taxa de crescimento do comércio restrito alcançou 1,0%, e a do ampliado,
-3,4%. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou 0,3%
entre abril e maio, refletindo certa estabilização no segundo trimestre, após
queda de 15,3% entre dezembro e março.
10. O Nível de Utilização
da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela
FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 78,9% em maio e, na série dessazonalizada, 79,0%.
Entre as categorias de uso da indústria, de acordo com as séries com ajuste
sazonal, as que mostram Nuci mais elevado são as de material para construção (82,8%)
e as de bens intermediários (82,6%), seguidas pelas de bens de consumo não
duráveis (74,1%), de consumo duráveis (72,7%) e de capital (72,1%). Por sua
vez, a absorção de bens de capital recuou 14,7% no período de doze meses
encerrado em abril.
11. O deficit da balança comercial atingiu US$1,5 bilhão em doze meses
até maio de 2015. Esse resultado adveio de exportações de US$209,7 bilhões e de
importações de US$211,2 bilhões, com recuo de 12,2% e de 10,5%,
respectivamente, em relação ao acumulado até maio de 2014. Por sua vez, o deficit em transações correntes
acumulado em doze meses atingiu US$100,2 bilhões em abril de 2015, equivalente
a 4,5% do PIB. Já os investimentos diretos no país totalizaram US$86,1 bilhões
na mesma base de comparação, equivalentes a 3,9% do PIB.
12. No que se refere à
economia global, indicadores antecedentes apontam, no horizonte relevante para
a política monetária, crescimento compatível com a tendência em importantes
economias maduras e emergentes. Particularmente sobre a Europa, em que pesem ações
de política monetária recentes, altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação
fiscal e a incertezas políticas, constituem elementos de contenção de
investimentos e do crescimento. Em relação à política monetária, de modo geral,
nas economias maduras e emergentes, prevalecem posturas acomodatícias. As taxas
de inflação permanecem em níveis baixos nas economias maduras e em níveis relativamente
elevados nas emergentes.
13. O preço do barril de
petróleo do tipo Brent manteve-se em
torno de US$64 desde a reunião anterior do Copom. Cabe ressaltar que a
complexidade geopolítica que envolve o setor de petróleo tende a acentuar o
comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa
previsibilidade de alguns componentes da demanda global e da oferta. Desde a
reunião anterior do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas avançaram 4,93%, enquanto os preços das
metálicas recuaram 1,91%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos,
calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação
(FAO), recuou 19,2% em doze meses até abril de 2015.
14. Os choques
identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto
de informações disponível.
15.
Para o conjunto de preços administrados por contrato
e monitorados, projeta-se variação de 12,7% em 2015, ante 11,8% considerados na
reunião do Copom de abril. Entre outros fatores, essa projeção considera
hipótese de variação de 9,1% no preço da gasolina e de 3,0% no preço do gás de
bujão; de -4,4% nas tarifas de telefonia fixa; e de 41,0% nos preços da energia
elétrica. Os itens para os quais se dispõe de mais
informações foram projetados individualmente e, para os demais, as projeções se
baseiam em modelos de determinação endógena de preços administrados, que
consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços
livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). Com base nesses
modelos, projeta-se, para o conjunto dos preços administrados por contrato e
monitorados, variação de 5,3% em 2016.
16.
A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de
referência, de -7 pontos base (p.b.) e de 13 p.b. para o quarto trimestre de
2015 e de 2016, respectivamente.
17.
Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva
das trajetórias de superavit primário
de R$66,3 bilhões em 2015 e de 2% do PIB em 2016. Cabe destacar, ainda, que, em
determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao
observado no período anterior.
18.
Desde a última reunião do Copom, a mediana das
projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e
Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2015 passou de 8,25% para 8,39%
e, para 2016, de 5,60% para 5,50%.
19. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa
de câmbio em R$3,15/US$ e da taxa Selic em 13,25% ao ano (a.a.) em todo o
horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2015 elevou-se
em relação ao valor considerado na reunião anterior e permanece acima da meta
de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado,
que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com
analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a
projeção de inflação para 2015 também se elevou em relação ao valor considerado
na reunião de abril e permanece acima da meta para a inflação. Para 2016, a
projeção de inflação mostrou estabilidade nos dois cenários, permanecendo acima
da meta de 4,5% fixada pelo CMN.
20. O Copom ressalta que a
evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira,
indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumento dos
riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo,
no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e
governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê
enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de
salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o
consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o
potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de
renda.
21. À vista disso, o Copom
avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um
ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido,
reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de
acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base
na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis
que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos
baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em
relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de
cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de
coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular dos
formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a
inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações
de política monetária, fazendo com que elas possam afetar, de forma mais
duradoura, a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras
ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o
Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária
manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em
horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos.
22. O Copom considera que,
desde sua última reunião, permaneceram elevados os riscos para a estabilidade
financeira global, a exemplo dos derivados de mudanças na inclinação da curva
de juros em importantes economias maduras. Apesar de identificar baixa
probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros
internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo, com
possíveis episódios de maior volatilidade. No entanto, para o Comitê, prevalece
tendência de atividade global mais intensa ao longo do horizonte relevante para
a política monetária. Nesse sentido, as perspectivas indicam recuperação da
atividade em algumas economias maduras e intensificação do ritmo de crescimento
em outras, apesar de nessas economias, de modo geral, permanecer limitado o
espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição
fiscal. Importantes economias emergentes experimentam período de transição e,
por conseguinte, de moderação no ritmo de atividade, em que pese a resiliência
da demanda doméstica.
23. Ainda sobre os mercados
financeiros internacionais, o Copom destaca evidências de focos de volatilidade
nos mercados de moedas e de renda fixa, bem como moderação na dinâmica dos
preços de commodities.
Especificamente sobre o petróleo, o Comitê assinala que, independentemente do
comportamento dos preços domésticos da gasolina, a evolução dos preços
internacionais tende a se transmitir à economia doméstica tanto por meio de
cadeias produtivas, como a petroquímica, quanto por intermédio das expectativas
de inflação.
24. O Copom reitera que os
indicadores disponíveis sobre as taxas de crescimento da absorção interna e do
PIB se alinharam e que o ritmo de expansão da atividade doméstica neste ano
será inferior ao potencial. Em particular, o investimento tem-se retraído,
influenciado, principalmente, pela ocorrência de eventos não econômicos, e o
consumo privado mostra sinais de moderação. Entretanto, para o Comitê, depois
de um período necessário de ajustes, o ritmo de atividade tende a se
intensificar, na medida em que a confiança de firmas e famílias se fortaleça.
Além disso, o Comitê avalia que, no médio prazo, mudanças importantes devem
ocorrer na composição da demanda e da oferta agregada. O consumo tende a
crescer em ritmo moderado e os investimentos tendem a ganhar impulso. Essas
mudanças, somadas a outras ora em curso, antecipam uma composição do
crescimento da demanda agregada no médio prazo mais favorável ao crescimento
potencial. No que se refere ao componente externo da demanda agregada, o
cenário de maior crescimento global, combinado com a depreciação do real, milita
no sentido de torná-lo mais favorável ao crescimento da economia brasileira.
Pelo lado da oferta, o Comitê avalia que, em prazos mais longos, emergem
perspectivas mais favoráveis à competitividade da indústria e da agropecuária. O
setor de serviços, por sua vez, tende a crescer a taxas menores do que as
registradas em anos recentes. Para o Comitê, é plausível afirmar que esses
desenvolvimentos – somados a avanços na qualificação da mão de obra e ao
programa de concessão de serviços públicos – traduzir-se-ão numa alocação mais
eficiente dos fatores de produção da economia e em ganhos de produtividade.
25. O Copom reitera que o
cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias
com as quais trabalha para as variáveis fiscais. O Comitê pondera que, no
horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público tende
a se deslocar para a zona de neutralidade e não descarta a hipótese de migração
para a zona de contenção. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as
hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação contribuirá para
criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no
longo prazo. Destaca, também, que essa trajetória de superavit primários fortalecerá a percepção de sustentabilidade do
balanço do setor público. Assim, contribui para diminuir o custo de
financiamento da dívida pública, com repercussões favoráveis sobre o custo de
capital de modo geral, em última instância, estimulando o investimento privado
no médio e no longo prazo. Especificamente sobre o combate à inflação, o Comitê
destaca que a literatura e as melhores práticas internacionais recomendam um
desenho de política fiscal consistente e sustentável, de modo a permitir que as
ações de política monetária sejam plenamente transmitidas aos preços.
26. O Copom destaca que o
cenário central contempla expansão moderada do crédito, o que já está sendo
observado. A esse respeito, importa destacar que, após anos em forte expansão,
o mercado de crédito voltado ao consumo passou por moderação, de modo que, nos
últimos trimestres, observaram-se, de um lado, redução de exposição por parte
de bancos e, de outro, desalavancagem das famílias. No agregado, portanto,
infere-se que os riscos no segmento de crédito ao consumo vêm sendo mitigados.
Em outra dimensão, a exemplo de ações recentemente implementadas, o Comitê
considera oportuno reforçar as iniciativas no sentido de moderar concessões de
subsídios por intermédio de operações de crédito.
27. No mercado de fatores, como
antecipado em Notas anteriores, o Copom observa que a estreita margem de
ociosidade no mercado de trabalho tem arrefecido, com alguns dados confirmando
o início de um processo de distensão nesse mercado. No entanto, o Copom pondera
que é preciso ampliar o horizonte de observações, e que ainda prevalece risco
significativo relacionado, particularmente, à possibilidade de concessão de
aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com
repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante a concessão de reajustes
para o salário mínimo não tão expressivos, bem como a ocorrência de variações
reais de salários mais condizentes com as estimativas de ganhos de
produtividade do trabalho, o Comitê avalia que a dinâmica salarial ainda
permanece originando pressões inflacionárias de custos.
28. Para o Copom, o fato de
a inflação atualmente se encontrar em patamares elevados reflete, em grande parte,
os efeitos de dois importantes processos de ajustes de preços relativos na
economia – realinhamento dos preços domésticos em relação aos internacionais e
realinhamento dos preços administrados em relação aos livres. O Comitê
considera ainda que, desde sua última reunião, entre outros fatores, esses
ajustes de preços relativos na economia tornaram o balanço de riscos para a
inflação desfavorável para este ano. Nesse contexto, conforme antecipado em
Notas anteriores, esses ajustes de preços fazem com que a inflação se eleve no
curto prazo e tenda a permanecer elevada em 2015, necessitando determinação e
perseverança para impedir sua transmissão para prazos mais longos. Ao tempo em
que reconhece que esses ajustes de preços relativos têm impactos diretos sobre
a inflação, o Comitê reafirma sua visão de que a política monetária pode e deve
conter os efeitos de segunda ordem deles decorrentes, para circunscrevê-los a 2015.
29. Diante do exposto,
avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom
decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic em 0,50 p.p., para 13,75% a.a.,
sem viés.
30. Votaram por essa
decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente),
Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Luiz Awazu
Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim, Otávio Ribeiro Damaso, Sidnei Corrêa
Marques e Tony Volpon.
31. O Copom avalia que a
demanda agregada tende a se apresentar moderada no horizonte relevante para a
política monetária. De um lado, o consumo das famílias tende a se estabilizar, devido
a fatores como emprego, renda e crédito; de outro, o financiamento imobiliário,
a concessão de serviços públicos e a ampliação da renda agrícola, entre outros,
tendem a favorecer os investimentos. Por sua vez, as exportações devem ser
beneficiadas pelo cenário de maior crescimento de importantes parceiros
comerciais e pela depreciação do real. Para o Comitê, os efeitos conjugados desses
elementos, os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos e,
neste ano, a dinâmica de recomposição de preços administrados são fatores importantes
do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com
vistas a assegurar a convergência da inflação para a meta de 4,5% estabelecida
pelo CMN, ao final de 2016.
32. A propósito, o Copom
avalia que o cenário de convergência da inflação para 4,5% no final de 2016 tem
se fortalecido. Para o Comitê, contudo, os avanços alcançados no combate à
inflação – a exemplo de sinais benignos vindos de indicadores de expectativas
de médio e longo prazo – ainda não se mostram suficientes. Nesse contexto, o
Copom reafirma que a política monetária deve manter-se vigilante.
33. Ao final da reunião,
foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 28 de julho de 2015, para as
apresentações técnicas e, no dia seguinte, para deliberar sobre a política
monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 26.042, de 24 de junho de
2014.

Nenhum comentário:
Postar um comentário